A força do lema cunhado dentro das lojas Maçonicas

Os vietnamitas roubaram o lema da Independência do Brasil?

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Um amigo jornalista em viagem pelo Sudeste Asiático enviou-me dias atrás uma foto curiosa tirada no museu histórico de Ho Chi Minh, antiga Saigon, no Vietnã. É uma cena no estilo conhecido como ‘realismo socialista” que celebra a ocupação da cidade pelas tropas comunistas ao final da Guerra do Vietnã, em abril de 1975. Nela, um grupo de trabalhadores e estudantes aparece de punhos erguidos, com armas, ferramentas e bandeiras vermelhas, enquanto assiste ao que parece ser uma proclamação feita de cima de um palaque por um grupo de homens engravatados. O que mais chamou a atenção do meu amigo foi a faixa, em inglês e também com letras vermelhas, estendida na frente do palanque com o seguinte slogan: “Independence or Death”, ou seja, “Independência ou Morte”.

“Quem copiou quem?”, perguntava meu amigo na mensagem. Teriam os vietnamitas roubado o famoso lema da Independência do Brasil para comemorar a vitória dos comunistas contra as tropas dos Estados Unidos, um século e meio depois do Grito do Ipiranga?

A verdade é que, embora tenha passado para a história como o marco decisivo do rompimento do vínculos coloniais entre Brasil e Portugal, o lema “Independência ou Morte” nunca foi exclusivo dos brasileiros. Cunhado dentro das lojas maçônicas no final do Século 18, tem sido usado até hoje em diversas lutas de libertação nacional ao redor do mundo. Aparece, por exemplo, na letra do Hino Nacional do Romênia, em verso que diz:

“No braço armado a fogo dos vossos paladinos,
Independência ou Morte! bradamos veementes”

Para entender o uso desse lema às margens do riacho Ipiranga em Sete de Setembro de 1822 é preciso levar em conta a participação decisiva da maçonaria nas revoluções daquele período. No começo do século 19, a maçonaria era uma organização altamente subversiva. Nas suas reuniões, conspirava-se pela implantação das novas doutrinas políticas que estavam transformando o mundo e que pregavam, entre outras coisas, o fim da tirania dos reis e a entrega do poder aos representantes do povo escolhidos em eleições livres e democráticas. O lema “Independência ou Morte” resumia esse conceito.

Na Revolução Francesa, a maçonaria cunhou também o lema “liberdade, igualdade e fraternidade”. Em uma de suas lojas foi composta a Marselhesa, marcha revolucionária adotada depois como hino da França. Três libertadores da América Espanhola, Simon Bolívar, Bernardo O’Higgins e José de San Martin, frequentaram a mesma loja em Londres, a “Gran Reunion Americana”, situada 27 da Grafton Street. Seu fundador, o venezuelano Francisco de Miranda, tinha sido colega de George Washington, primeiro presidente americano, em uma loja maçônica da Filadélfia, nos Estados Unidos.

No Brasil, a Independência foi proclamada por um grão-mestre maçom, D. Pedro I. E a República, por outro ativo maçom, o marechal Deodoro da Fonseca. Entre 12 presidentes da Primeira República, oito eram maçons. O primeiro ministério era todo maçom, incluindo Rui Barbosa, Quintino Bocaiuva e Benjamin Constant.

A passagem de D. Pedro pela maçonaria é meteórica. Pelo menos oficialmente. Iniciado na loja Comércio e Artes no dia 2 de agosto de 1822 com o nome de Guatimozim – em homenagem ao último imperador asteca – foi promovido ao grau de mestre três dias mais tarde e elevado ao posto máximo da organização, o de grão-mestre, dois meses depois. Exerceu a função por apenas 17 dias. Em 21 de outubro (uma semana depois da aclamação como imperador), mandou fechar e investigar as lojas que o haviam ajudado a proclamar a Independência. Quatro dias depois, sem que as investigações sequer tivessem começado, determinou a reabertura dos trabalhos “com seu antigo vigor”.

O lema “Independência ou Morte” exibido atualmente no museu histórico da cidade de Ho Chi Minh não significa obviamente que os comunistas responsáveis pela ocupação da então Saigon, capital do Vietnã do Sul até 1975, fossem maçons. Mas comprova que o lema cunhado dentro das lojas maçônicas na época da Revolução Francesa era forte o suficiente para sobreviver nos dois séculos seguintes e se moldar aos diversos tipos de ideologias que nasceriam nesse período.

Artigo extraído do blog de Laurentino Gomes, Jornalista e escritor, autor dos livros: 1808, 1822 e 1889. Tive o privilégio de assistir sua palestra e compartilho com voces.

http://laurentinogomes.com.br/blog/2014/01/os-vietnamitas-roubaram-o-lema-da-independencia-do-brasil/

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O simbolismo Hermético do Pinóquio

Carlo Collodi escreveu em 1882 um livro chamado “As Aventuras de Pinóquio”, onde conta a história de um velho Mestre Carpinteiro que construiu um boneco de madeira.
Esta história simples é salpicada com considerações de ordem moral e da evolução da pessoa, que faz da história um relato iniciatico, em que Pinóquio se vai desprendendo de seus muitos defeitos até se tornar um verdadeiro ser humano, uma criança neste caso.
Poucas pessoas sabem que o Pinóquio, o boneco de madeira saiu da mente e da criatividade do escritor italiano Carlo Collodi, não é um conto de fadas. Na verdade, seu comprimento é um romance, mas sua trama infantil insuspeita é nada mais do que o veículo através do qual Collodi destina-se a entregar uma mensagem profundamente espiritual, iniciática, esotérica, de desenvolvimento pessoal.

Na verdade, a primeira coisa que gostaria de salientar é que o autor, Carlo Collodi, foi um membro da Ordem Maçônica, uma instituição que guarda e estuda as antigas tradições herméticas atribuídas a Hermes Trismegistus e é considerada uma das mais importantes instituições esotérica até os dias de hoje.
Walt Disney, que esta história imortaliza no filme de animação e cujos desenhos representam mais do que qualquer outro o boneco e os outros personagens, também foi um irmão rosacruz e demolay.

No contexto conturbado da re-unificação italiana, liderada por outro irmão, José Garibaldi (pertencente à Ordem dos Carbonários), Collodi escreveu “As Aventuras de Pinóquio”, publicado em 1882. Uma análise superficial do trabalho revela uma apologia para a educação e uma denúncia do vício e da ociosidade. Ideais próprios da cultura ocidental, mas são inevitáveis mandato para encomendas para as ordens esotéricas.

Vamos rever a história, e marcar em negrito algumas palavras que são muito esclarecedoras do ponto de vista esotérico e maçônico em particular: Gepetto, um velho mestre que usa o avental, sempre sonhou em ter uma criança, de modo que, ao ver brilhar no céu a Estrela Azul (Estrela Flamígera)fervorosamente pediu que seu desejo fosse concedido (este é entrar em contato com um maior nível de consciência).
Naquela noite, enquanto dormia Gepetto, apareceu a Fada Azul e deu vida ao boneco, e o advertiu a se comportar bem para se tornar um menino de verdade (o compreendemos a partir da idéia de ser um homem de verdade, outra idéia inspiradora das escolas de iniciaticas). Para aconselhamento sobre seu comportamento chamou o Grilo Falante como sua consciência (o trabalho consciente de desenvolvimento pessoal é também um ideal hermético).

Não nos esqueçamos de que Pinóquio foi trabalhado à mão pelo carpinteiro que o elaborou a partir de um pedaço de madeira, criando mesmo um boneco muito bom, graças ao seu esforço (na Maçonaria se trabalha para dar forma a uma pedra).

Gepetto construindo Pinóquio 
Os fios que movem o destino dos bonecos são semelhantes aos fios do destino que movem as pessoas, daqui para lá e vice-versa quando desenvolvemos a consciência. Assim, então, Pinóquio com falta de consciência e surdo aos ensinamentos do Grilo Falante (outro mestre) provou ser amoral e estúpido, verdadeiro orgulho do mundo créu.

Poderia dizer que Pinóquio estava vivo, mas ainda não tinha livre arbítrio; estava dormindo, permanecendo em um estado de torpor semelhante às pessoas no dia-a-dia; não usava a sua consciência, desconhecia o sendero da virtude e a libertação, uma espécie de “morto vivo”.
O esoterismo ensina que, infelizmente, a imensa maioria dos seres humanos são como Pinóquio: eles seguem o caminho mais fácil, deixando-se guiar por quem falar mais alto e não sabem que existe algo melhor, algo que nos conecta com níveis mais elevados de consciência.

Um pesquisador maçônico chamado Rudyard Kipling (um dos maiores escritores britânicos de todos os tempos) disse: “A verdade é que existem apenas dois tipos de homens em todo o mundo: os poucos que já perceberam o esquema divino poderoso e as imensas massas que ainda não o conhece. Os últimos vivem para eles mesmos, e estão muito escravizados por suas paixões; os primeiros vivem para Deus e para a evolução, que é a Sua vontade, e independe se são chamados Budistas ou hindus, muçulmanos ou cristãos, ou pensadores judeus”.

Nessa perspectiva, Pinóquio é o escravo de seus “eus”, este é um ego hipertrofiado produto de distintos vícios que foram acumulados. Suas mentiras fazem crescer o nariz e as orelhas de burro depois, tal qual o rei Midas nas antigas fábulas gregas. Esta é uma alegoria física de todos os agregados psíquicos que o acompanham.

Pinóquio e Grilo Falante
Uma e outra vez, Pinóquio, pela lei de causa e efeito, sofre as conseqüências de suas más ações, que o conduzem a uma vida desgraçada, onde o boneco paga com o sofrimento do karma que há sido gerado. Quando a vida de Pinóquio não poderia ser mais insuportável, é engolido por uma baleia.

Este episódio, que evoca claramente a história bíblica de Jonas, vem a ser no simbolismo maçônico da câmara de reflexões que representa a descida ao centro da terra “Pois assim como Jonas esteve no ventre do grande peixe por três dias e três noites, assim estará o Filho do Homem no seio da terra três dias e três noites “.

Não se esqueça que o Filho do homem, também, como o Pinóquio, era um iniciado filho de um Mestre carpinteiro.

Como acontece com qualquer tradição esotérica válida, o importante é a morte mística; à luz de uma vela, Pinóquio medita sobre o seu destino e decide mudar, deixando para trás seu passado de inconsciência. Finalmente o boneco é expelido pela baleia para o mar, onde a água atua como um purificador, limpando interna e externamente a Pinóquio.

Diz-se que quando alguém está imerso em uma corrente de água, renasce para uma nova vida. Esta prática é comum em muitas tradições religiosas e do batismo cristão, tradição que remonta às origens Egípcias do rito de Melkizedek. Maçônicamente tem a ver com a lenda do terceiro grau e o Mar de bronze.

Pinóquio, no entanto, não sobrevive à fúria do oceano e, finalmente, se afoga. Esta morte do boneco equivale à morte mística do profano ao ser iniciado. Nas palavras do Evangelho lembra a sentença que está em João 3:3-10: “Em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus (…) quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”.

Ao retornar à vida, Pinóquio vai para um estado mais elevado, que vai adquirir uma humanidade plena (para ser um menino de verdade).

Vale a pena ver “Pinóquio” e descobrir o profundo conteúdo simbólico e iníciatico deste trabalho. Especialmente recomendado para aqueles que pertencem a instituições herméticas filosófica como a Ordem Maçônica, Rosa Cruz, Gnósticos, Teosófica, Antroposófica Biosófica, Metafísicas e similares.

Mas para o resto dos mortais, que tentamos manter uma vida digna, enquadrada nos limites de uma moral mais ou menos estável, a aventura de Pinóquio também tem muito a dizer, sobretudo porque o boneco se parece muito como nós somos.
Podemos dizer o quanto a história de Pinóquio corresponde à evolução dos seres humanos para alcançar a plena realização da “humanidade”, como seres humanos completos e particularmente com a nossa própria evolução como ocultistas.

Texto publicado no site: http://www.sedentario.org/

Original postado por Igor  e editado por Marcelo Del Debiio

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Instalação e posse da gestão 2014-2015

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2ᵒ Jantar do Dia dos Namorados

Segunda edição do jantar do Dia dos Namorados promovido pela Loja Maçonica 9 Acácias juntamente com a Fraternidade Feminina. Parte do dinheiro levantado foi destinado a ações sociais apoiadas pela Loja. 

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Ação de Natal 2013

A loja maçonica 9 Acácias promoveu como encerramento das atividades para ano de 2013 a Ação de Natal junto a Casa Abrigo de Primavera/S.P. (ACAAR), com a distribuição de brinquedos e lembranças natalinas às crianças atendidas.

A doação contou com a participação de membros da loja e amigos que não mediram esforços para fazer a alegria destas crianças carentes. Agradecimento especial a todos que contribuíram com o projeto.

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Iniciação 2013

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Jantar do Dia dos Namorados

Em 2013 deu-se inicio ao Jantar do Dia dos Namorados. Festa promovida pela Loja Maçonica 9 Acácias juntamente com a fraternidade feminina. O evento contou com um ambiente romântico e com musica ao vivo. Fotos: equipe do site www.ocumulo.com

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Confraternização 2012

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Almoço da 9 Acácias

A Loja Maçonica 9 Acácias juntamente com o Grupo de Escoteiros Guará Mirim promoveu um almoço (Galinhada) no Rotary Clube de Primavera/S.P. em meados de 2012, afim de estreitar os laços entre as duas intuições que buscam contribuir com o desenvolvimento social do município.

O evento contou com a participação da comunidade com show de prêmios e musica ao vivo.

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Iniciação 2012

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