TIRADENTES: ESPIRITO MAÇOM

Alferes Joaquim e o lema da Inconfidência Mineira

Na época da Inconfidência Mineira a Maçonaria era uma sociedade secreta e clandestina, não admitida em território brasileiro. As Lojas eram proibidas de funcionar e seus membros perseguidos e presos pelo crime de pertencer a tal ordem. Para tanto, as lojas adotavam outros nomes para burlar tal medida: Sociedades Literárias, Academias e Arcádias Literárias. A Inconfidência Mineira foi um movimento com idéias importados da França, onde alguns jovens brasileiros completavam seus estudos e tinham o primeiro contato com a Maçonaria; foram fortemente apoiados pelo sucesso da independência dos Estados Unidos da America.

Segundo alguns renomados historiadores, como Tenório D’Albuquerque, possivelmente Tiradentes ingressara na maçonaria através de José Álvares Maciel, sendo iniciado na Bahia, numa das suas muitas viagens àquela localidade. Há ainda historiadores que revelam que Tiradentes foi iniciado pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes. É fato que participou de várias Lojas Maçônicasem Minas Gerais, possuía o apoio da maioria da população, que viam na maçonaria, intransigente defensora da Liberdade, da dignidade, dos direitos do homem, sendo um meio para reagir contra os desmandos dos prepotentes e contra as arbitrariedades daqueles que possuíam o poder.

Tiradentes poderia ser um maçom, mas estava longe de acompanhar os maçons engajados na Inconfidência, porque esses eram cultos, e o mesmo é reconhecido como semi-analfabeto. No movimento, encontravam-se em sua grande parte cavalheiros que haviam recentemente regressado dos estudos na cidade de Coimbra, em Portugal, altamente intelectuais em suas respectivas áreas.

Finalmente Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro a 10 de maio de 1789. Seu julgamento prolongou-se por dois anos, durante todo o processo admitiu voluntariamente ser o líder do movimento com culpa exclusiva, e mesmo porque tinha a promessa que  livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação. Só dia 18 de abril de 1792, foi prolatada a primeira sentença, condenando a morte por enforcamento e mais 10 integrantes do movimento. No dia seguinte, em 19 de abril de 1792 na cadeia publica, foi lida a sentença que o declarava ser o único culpado da revolução.

Quadro de Pedro Américo (1893)

Foi no dia 21 de abril de 1792, com ajuda de companheiros maçons, foi trocado por um ladrão. Isidro Gouveia havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida pela Maçonaria. Gouveia foi conduzido a forca e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos. Seu corpo foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada para assegurar que ninguém descobrisse a farsa.

Tiradentes teria embarcado secretamente na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Em 1969 o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença na galeria da Assembléia Nacional francesa de 1793. Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. O especialista em grafotécnica Correa havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier e concluiu que as semelhanças eram impressionantes.

Em 1822, após a Independência do Brasil, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da nação brasileira. Essa pesquisa aqui consta permanece oculta em nossos livros de historia, assim como muitos outros fatos históricos e personagens acabaram sendo excluídos para melhor proveito ideológico daqueles que obtêm o poder. O que não devemos esquecer é que Joaquim José da Silva Xavier foi um grande homem e suas ações foram de encontro aos idéias defendidos pela Maçonaria.

Fontes:

Guilhobel Aurélio Camargo (jornalista). O martírio de Tiradentes, uma farsa criada por líderes da inconfidência mineira. Publicado em: 15/09/2011.

Nêodo Ambrósio de Castro. M.’.M.’. – ARLS Benso di Cavour nº 28, Juiz de Fora – MG / Brasil.

Maçonaria na Inconfidência Mineira

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A força do lema cunhado dentro das lojas Maçonicas

Os vietnamitas roubaram o lema da Independência do Brasil?

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Um amigo jornalista em viagem pelo Sudeste Asiático enviou-me dias atrás uma foto curiosa tirada no museu histórico de Ho Chi Minh, antiga Saigon, no Vietnã. É uma cena no estilo conhecido como ‘realismo socialista” que celebra a ocupação da cidade pelas tropas comunistas ao final da Guerra do Vietnã, em abril de 1975. Nela, um grupo de trabalhadores e estudantes aparece de punhos erguidos, com armas, ferramentas e bandeiras vermelhas, enquanto assiste ao que parece ser uma proclamação feita de cima de um palaque por um grupo de homens engravatados. O que mais chamou a atenção do meu amigo foi a faixa, em inglês e também com letras vermelhas, estendida na frente do palanque com o seguinte slogan: “Independence or Death”, ou seja, “Independência ou Morte”.

“Quem copiou quem?”, perguntava meu amigo na mensagem. Teriam os vietnamitas roubado o famoso lema da Independência do Brasil para comemorar a vitória dos comunistas contra as tropas dos Estados Unidos, um século e meio depois do Grito do Ipiranga?

A verdade é que, embora tenha passado para a história como o marco decisivo do rompimento do vínculos coloniais entre Brasil e Portugal, o lema “Independência ou Morte” nunca foi exclusivo dos brasileiros. Cunhado dentro das lojas maçônicas no final do Século 18, tem sido usado até hoje em diversas lutas de libertação nacional ao redor do mundo. Aparece, por exemplo, na letra do Hino Nacional do Romênia, em verso que diz:

“No braço armado a fogo dos vossos paladinos,
Independência ou Morte! bradamos veementes”

Para entender o uso desse lema às margens do riacho Ipiranga em Sete de Setembro de 1822 é preciso levar em conta a participação decisiva da maçonaria nas revoluções daquele período. No começo do século 19, a maçonaria era uma organização altamente subversiva. Nas suas reuniões, conspirava-se pela implantação das novas doutrinas políticas que estavam transformando o mundo e que pregavam, entre outras coisas, o fim da tirania dos reis e a entrega do poder aos representantes do povo escolhidos em eleições livres e democráticas. O lema “Independência ou Morte” resumia esse conceito.

Na Revolução Francesa, a maçonaria cunhou também o lema “liberdade, igualdade e fraternidade”. Em uma de suas lojas foi composta a Marselhesa, marcha revolucionária adotada depois como hino da França. Três libertadores da América Espanhola, Simon Bolívar, Bernardo O’Higgins e José de San Martin, frequentaram a mesma loja em Londres, a “Gran Reunion Americana”, situada 27 da Grafton Street. Seu fundador, o venezuelano Francisco de Miranda, tinha sido colega de George Washington, primeiro presidente americano, em uma loja maçônica da Filadélfia, nos Estados Unidos.

No Brasil, a Independência foi proclamada por um grão-mestre maçom, D. Pedro I. E a República, por outro ativo maçom, o marechal Deodoro da Fonseca. Entre 12 presidentes da Primeira República, oito eram maçons. O primeiro ministério era todo maçom, incluindo Rui Barbosa, Quintino Bocaiuva e Benjamin Constant.

A passagem de D. Pedro pela maçonaria é meteórica. Pelo menos oficialmente. Iniciado na loja Comércio e Artes no dia 2 de agosto de 1822 com o nome de Guatimozim – em homenagem ao último imperador asteca – foi promovido ao grau de mestre três dias mais tarde e elevado ao posto máximo da organização, o de grão-mestre, dois meses depois. Exerceu a função por apenas 17 dias. Em 21 de outubro (uma semana depois da aclamação como imperador), mandou fechar e investigar as lojas que o haviam ajudado a proclamar a Independência. Quatro dias depois, sem que as investigações sequer tivessem começado, determinou a reabertura dos trabalhos “com seu antigo vigor”.

O lema “Independência ou Morte” exibido atualmente no museu histórico da cidade de Ho Chi Minh não significa obviamente que os comunistas responsáveis pela ocupação da então Saigon, capital do Vietnã do Sul até 1975, fossem maçons. Mas comprova que o lema cunhado dentro das lojas maçônicas na época da Revolução Francesa era forte o suficiente para sobreviver nos dois séculos seguintes e se moldar aos diversos tipos de ideologias que nasceriam nesse período.

Artigo extraído do blog de Laurentino Gomes, Jornalista e escritor, autor dos livros: 1808, 1822 e 1889. Tive o privilégio de assistir sua palestra e compartilho com voces.

http://laurentinogomes.com.br/blog/2014/01/os-vietnamitas-roubaram-o-lema-da-independencia-do-brasil/

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